Março Amarelo reforça alerta sobre endometriose e destaca importância do diagnóstico precoce
Campanha nacional chama atenção para sintomas que vão além da cólica menstrual e reforça que dor intensa não deve ser considerada normal
O mês de março é marcado pela campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose, doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e ainda enfrenta altos índices de subdiagnóstico. A mobilização busca ampliar o acesso à informação, reduzir o tempo até o diagnóstico e incentivar mulheres a procurarem avaliação médica diante de sintomas persistentes.
Segundo a ginecologista Dra. Jaqueline Borem, a desinformação ainda é um dos principais obstáculos. “Muitas pacientes chegam ao consultório após anos convivendo com dor intensa porque ouviram a vida inteira que cólica forte é normal. Dor incapacitante não é normal e precisa ser investigada”, alerta.
O que é a endometriose e como ela afeta o organismo
A endometriose ocorre quando células semelhantes às que revestem o interior do útero se implantam em outras áreas do corpo, como ovários, trompas, intestino e bexiga. Durante o ciclo menstrual, esse tecido também sofre influência hormonal, podendo sangrar e inflamar, o que desencadeia dor intensa e processos inflamatórios recorrentes.
De acordo com Dra. Jaqueline Borem, a condição pode evoluir de forma silenciosa. “A doença pode provocar aderências entre órgãos e comprometer significativamente a qualidade de vida. Em alguns casos, a infertilidade é o primeiro sinal de que algo não está bem.”
Sintomas que merecem atenção
Entre os principais sinais de alerta está a cólica menstrual incapacitante, aquela que impede a mulher de trabalhar, estudar ou realizar atividades cotidianas. Dor durante a relação sexual, dor pélvica crônica, estufamento abdominal e alterações intestinais no período menstrual também são sintomas frequentes.
“A paciente precisa observar o próprio corpo. Se a dor interfere na rotina, se há necessidade constante de medicação forte ou idas frequentes ao pronto atendimento, isso já é um indicativo de que algo precisa ser avaliado”, orienta a médica.
Diagnóstico ainda é tardio em muitos casos
Apesar da frequência da doença, muitas mulheres convivem com sintomas por anos antes de receberem diagnóstico adequado. O tempo médio entre o início das queixas e a confirmação pode se estender devido à banalização da dor menstrual e à dificuldade de acesso a exames especializados.
“O diagnóstico é clínico, baseado em uma escuta atenta da história da paciente, exame físico detalhado e exames de imagem específicos. Quanto mais cedo identificamos a endometriose, melhores são as possibilidades de controle”, explica Dra. Jaqueline.
Tratamento e qualidade de vida
O tratamento varia conforme a gravidade dos sintomas, idade da paciente e desejo reprodutivo. Pode incluir terapias hormonais, controle medicamentoso da dor e, em situações selecionadas, cirurgia para remoção das lesões.
“A endometriose não tem cura definitiva, mas tem controle. Com acompanhamento adequado, é possível devolver qualidade de vida, reduzir a dor e preservar a fertilidade quando desejado”, destaca a especialista.
Informação como ferramenta de cuidado
O Março Amarelo reforça que conscientização é peça-chave no enfrentamento da endometriose. Combater a desinformação, incentivar o diálogo aberto sobre saúde menstrual e estimular a busca por avaliação médica são passos essenciais para reduzir o impacto da doença.
A mensagem central é clara: sentir dor intensa não é normal. Como reforça Dra. Jaqueline Borem, “buscar orientação médica não é exagero, é autocuidado”.





