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Do diagnóstico ao propósito: Gideane Santos transforma sua experiência de vida em livro sobre maternidade atípica

Gideane Santos, vereadora da cidade de Ituberá viu sua vida ganhar um novo sentido ao receber o diagnóstico de autismo de sua filha, Glenda, de 8 anos. Diante do desafio, a parlamentar compreendeu que o silêncio não seria o caminho e decidiu transformar sua vivência em um instrumento de acolhimento. E foi assim que nasceu o livro “Os Desafios da Maternidade Atípica”, com lançamento previsto para 10 de abril. 

“Quando descobri o autismo na minha filha caçula, fiquei um tanto desconcertada, sem rumo e sem querer aceitar o diagnóstico. Mas percebi que o meu silêncio não ajudava ninguém, especialmente a minha filha. Entendi que a minha voz era um veículo transformador para unir e acolher outras mulheres que navegavam no mesmo mar turbulento da maternidade atípica”, reflete Gideane.

Ao falar sobre a conciliação entre a vida de mãe, escritora e vereadora, Gideane reconhece que os conflitos são inevitáveis. Para ela, o maior desafio reside na gestão do tempo e na busca por disposição para atender a todas as demandas de uma agenda tão intensa. Ainda assim, a necessidade de dar continuidade ao seu propósito é o que a impulsiona. Embora o tema do autismo tenha ganhado espaço na literatura brasileira, o crescimento constante no número de diagnósticos de pessoas neurodivergentes mantém a demanda por informação e apoio em alta.

Contexto e Acolhimento

 

Embora as estatísticas variem, estimativas recentes do IBGE apontam que o autismo alcança uma parcela significativa da população brasileira, reforçando a urgência do debate. No campo literário, há um crescimento expressivo de obras que abrangem desde a produção científica até relatos de experiência, refletindo o desejo da sociedade de compreender e, acima de tudo, incluir, segundo o Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, essa produção é fundamental para a promoção da equidade.

Em sua obra, Gideane percorre as diversas nuances da maternidade atípica. “No nosso livro, as mães são protagonistas. Falamos dos desafios, mas também dos milagres diários. Com certeza, esse é um processo de autoconhecimento, aceitação e liberdade. Transformar meus medos e dificuldades em remédio para curar outras mulheres é o que me move”, destaca.

Voz política: a causa para além das páginas

O trabalho de Gideane com crianças neurodivergentes não se limita à literatura. Ela utiliza sua atuação como vereadora para articular projetos que melhorem a qualidade de vida desse público.

“Antes do livro, já levantávamos essa bandeira na Câmara Municipal. Projetos de lei, indicações, simpósios, encontros com mães atípicas, audiências públicas e cartilhas informativas compõem a nossa atuação. O livro é mais uma peça nessa tapeçaria com múltiplas formas de cuidado e vivência”, comenta.

Quanto ao futuro, a expectativa é de esperança e acolhimento. Gideane deseja que sua obra sirva como um abraço e um convite para que a sociedade exercite, na prática, a empatia e o respeito à população autista. O sucesso da primeira experiência já inspira planos futuros: ela pretende escrever novas obras e continuar compartilhando suas vivências através da literatura. Sobre a filha que estampa a capa, a autora revela, entre sorrisos: “Ela ainda não entende bem a dimensão de tudo o que está acontecendo, mas já se sente famosa”.

 

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