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Dor na coluna vai além do exame e exige abordagem mais ampla no tratamento

 

Segundo o especialista Dr. Diego Arthur Vendruscolo, fatores neurológicos, comportamentais e decisões clínicas influenciam diretamente na persistência da dor e nos resultados dos tratamentos

Dor não se resume à imagem: compreensão do problema evolui

A dor na coluna, uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos, tem sido cada vez mais compreendida como um fenômeno complexo, que vai além de alterações estruturais identificadas em exames de imagem.

De acordo com o especialista Dr. Diego Arthur Vendruscolo, embora recursos como a ressonância magnética sejam fundamentais para avaliar estruturas, eles não traduzem, de forma isolada, o que mantém a dor. “A imagem mostra o que existe ali, mas não explica, sozinha, o que sustenta aquele quadro ao longo do tempo”, destaca.

Na prática clínica, é comum encontrar pacientes com exames semelhantes, mas com níveis de dor e limitações completamente diferentes. “O problema, muitas vezes, não está na coluna. Está no caminho que o paciente percorreu até chegar ali.”

Persistência da dor está ligada a múltiplos fatores

A continuidade da dor, mesmo após tratamentos ou procedimentos cirúrgicos, é uma realidade frequente. Segundo o médico, isso ocorre, muitas vezes, porque o tratamento não contempla todos os aspectos envolvidos no quadro.

“A dor crônica raramente tem uma única causa. Ela pode envolver inflamação, irritação nervosa, alterações no processamento da dor e fatores comportamentais”, explica o Dr. Diego.

Sem um raciocínio clínico estruturado, o paciente pode entrar em um ciclo de tentativas, acumulando intervenções que não se conectam e dificultam a resolução do problema.

 Alterações em exames nem sempre indicam dor

Outro ponto importante destacado pelo especialista é que nem toda alteração encontrada em exames está diretamente relacionada à dor.

“É muito comum encontrarmos desgaste, pequenas hérnias ou sinais de artrose em pessoas que não sentem dor alguma”, afirma.

Segundo ele, isso acontece porque nem toda alteração estrutural gera inflamação ativa ou compressão significativa. Por isso, a interpretação dos exames deve sempre estar associada à história clínica e ao exame físico do paciente.

Sistema nervoso e fatores emocionais influenciam o quadro

O papel do sistema nervoso na dor crônica também é determinante. Conforme explica o Dr. Diego Arthur Vendruscolo, quando a dor se prolonga, o organismo pode entrar em um estado de alerta contínuo.

“O cérebro passa a interpretar estímulos simples como ameaça, amplificando a dor, mesmo na ausência de uma lesão ativa relevante”, pontua.

Além disso, fatores como ansiedade, estresse, sono inadequado e sedentarismo contribuem para intensificar a percepção dolorosa, evidenciando a conexão entre aspectos físicos e emocionais no desenvolvimento e manutenção do quadro.

Comportamento do paciente impacta diretamente na evolução

A forma como o paciente lida com a dor também influencia sua evolução. Evitar completamente o movimento, focar excessivamente no sintoma ou buscar múltiplos tratamentos sem direcionamento são comportamentos que podem perpetuar o problema.

Por outro lado, a adoção de um plano estruturado, com retomada progressiva das atividades e mudanças de hábitos, tende a favorecer melhores resultados.

“A dor é real, mas a forma como o paciente se relaciona com ela pode amplificar ou reduzir esse processo ao longo do tempo”, destaca o especialista.

Excesso de exames e tratamentos sem estratégia podem prejudicar

A realização de exames sem indicação clara e a busca por tratamentos isolados também são apontadas como fatores que podem atrapalhar o processo de recuperação.

“Exames são importantes quando bem indicados. Fora disso, podem gerar mais confusão do que clareza”, afirma.

Segundo o médico, alterações comuns do envelhecimento podem ser interpretadas de forma equivocada, levando a preocupações desnecessárias e até a decisões clínicas inadequadas.

Cirurgia exige decisão criteriosa e individualizada

No caso da cirurgia da coluna, o Dr. Diego reforça que a indicação deve ser cuidadosamente avaliada.

“A cirurgia não é apenas técnica, é principalmente decisão”, afirma.

De acordo com ele, o procedimento deve considerar o conjunto de informações clínicas, e não apenas o exame de imagem. A indicação costuma ocorrer em casos com limitação importante, falha de tratamento conservador ou comprometimento neurológico.

O especialista também alerta que decisões inadequadas na indicação cirúrgica estão entre os fatores que explicam parte dos resultados insatisfatórios.

Tratamento individualizado é chave para melhores resultados

Para o especialista, tratar apenas o exame é insuficiente. A abordagem deve considerar o contexto completo do paciente, incluindo rotina, hábitos, histórico e características da dor.

“O tratamento muda quando passamos a entender não só o diagnóstico, mas o que está mantendo aquela dor ao longo do tempo”, explica.

Essa visão mais ampla permite estratégias mais assertivas e resultados mais consistentes.

Conscientização é essencial para romper ciclos de dor

Como orientação final, o Dr. Diego Arthur Vendruscolo reforça a importância da conscientização dos pacientes.

“Não reduza sua dor a um exame e não aceite viver sem direção. A dor crônica precisa ser entendida com critério, e o caminho começa com decisões mais conscientes”, afirma.

E conclui: “Na maioria das vezes, o que falha não é o corpo, é a forma como o problema foi conduzido até aqui.”

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